Segundo pesquisa da Esalq, média de produção por hectare aumentou em 40 kg anualmente; evolução nas características da folha e na estrutura da planta foram o que mais contribuíram para isso.

A produtividade média de grãos de soja por hectare aumentou 40 quilos por ano nos últimos 50 anos no Brasil, e as mudanças no formato da folha e na estrutura da planta foram o que mais contribuíram para isso. A conclusão é de uma pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), que identificou atributos que podem ser aproveitados para que a quantidade de grãos produzidos dobre em uma mesma área de cultivo.

Segundo o engenheiro agrônomo Renan Caldas Umburanas, pesquisador do campus da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba (SP), o uso de tecnologias, as práticas agrícolas e a “clonagem” das plantas mais produtivas favoreceram a produtividade da soja, mas as principais características da morfologia (formato das plantas) responsáveis pelo melhor desempenho da cultura eram, até então, desconhecidas.

“Geralmente, as cultivares [espécies de plantas melhoradas] são semeadas e colhidas e, com base na produtividade, é feita uma seleção sem se atentar às mudanças na planta responsáveis pela melhora”, explica o pesquisador.
Entre as principais características para o aumento da produtividade nas últimas décadas identificadas no estudo estão:

O fortalecimento da sustentação das plantas ao longo do tempo, já que antes se inclinavam por causa do peso de grãos;
A mudança no formato das folhas, que passou de oval para uma espécie de “lança”, o que facilitou a absorção da luz solar e aumentou a capacidade de fotossíntese;
A diminuição na quantidade de folhas e aumento de grãos em uma mesma planta.

Comparação de folhas da soja de 1968 e atual — Foto: Reprodução/Pesquisa da USP

No entanto, foi observado que a seleção e melhoramento genético das plantas brasileiras fez com que os grãos de soja tivessem redução no teor de proteína. “Isso é uma informação de relevância para a indústria, pois alguns subprodutos dependem do teor de proteína. Ou seja, é importante prestar atenção para que isso não reduza ainda mais”, diz Umburanas.

Para que se chegasse a essas conclusões, sementes resgatadas da década de 60 e as usadas atualmente foram cultivadas em vasos e depois lado a lado, num experimento de duas safras em ambiente de alto potencial produtivo, nas lavouras no interior do Paraná. Depois disso, essa comparação da estrutura das plantas foi cruzada com dados estatísticos que permitiram chegar ao valor de aumento médio de 40 quilos por hectare ao ano.

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